Turma Águia
EPCAR (Barbacena-MG) 81/83
AFA (Pirassununga-SP) 84/87
A história da Turma Águia começa em 08 de fevereiro de 1981, em Barbacena–MG, quando 231 jovens, vindos de todas as regiões do Brasil, cruzaram pela primeira vez os portões da EPCAR. Ali não se iniciava apenas um curso: começava um processo de formação humana, intelectual e militar que marcaria definitivamente nossas vidas.
Na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, vivemos três anos equivalentes ao então 2º grau, em regime de internato, sob rígida disciplina militar e acadêmica. Foram anos de adaptação brusca, de amadurecimento acelerado e de construção de valores. Enfrentamos o frio característico de Barbacena, o rancho que se tornaria tema eterno de conversas, a saudade da família e o impacto do afastamento precoce de casa. Mas, sobretudo, aprendemos resiliência, espírito de corpo e responsabilidade.
Entre instruções, formaturas, marchas, corridas, acampamentos, corretivos e longas noites de estudo, também houve espaço para a camaradagem, para as tradições, para os campeonatos internos, para os desfiles de 7 de Setembro e para os episódios que hoje viraram memória afetiva coletiva — alguns contados em tom épico, outros com inevitável humor. Cada um desses momentos ajudou a forjar o vínculo que nos acompanha até hoje.
Após um rigoroso processo de avaliação acadêmica, disciplinar e, especialmente, médica, 190 integrantes da Turma concluíram a EPCAR. Desses, 135 seguiram, em 1984, para a Academia da Força Aérea, em Pirassununga–SP, dando continuidade ao sonho de se tornarem Oficiais da Força Aérea Brasileira.
Na AFA, a Turma Águia ganhou uma nova dimensão. Logo no primeiro dia, fomos integrados a 131 novos companheiros civis, incluindo seis cadetes estrangeiros provenientes da Bolívia, Panamá e Venezuela, os chamados “PQDs”. Essa diversidade ampliou horizontes, fortaleceu laços e consolidou o espírito de corpo em um ambiente ainda mais desafiador.
Foi nesse contexto que a Turma recebeu oficialmente sua identidade:
um nome, um símbolo, cuidadosamente desenhado pelo Pires, e um grito de guerra, criado pelo Honório, que passaram a nos representar dentro e fora dos muros da Academia. Mais do que elementos simbólicos, eles expressaram uma identidade coletiva construída com esforço, disciplina, amizade e propósito.
“Caçadores!!
Avante! As águias 84 vão sair para lutar
Fazendo de suas vidas o sonho de voar
Lutar, caçar, vencer, eis o ideal
Dos grandes caçadores no combate triunfal
A Espada Alada a guerra vai ganhar
E além do firmamento o inimigo vai buscar
Somos 84 e nosso lema é conquistar
Força Aérea, guerreiros 84”
A Turma Águia não é apenas um marco cronológico entre 1981 e 1987. Ela representa uma geração formada sob valores sólidos, preparada para servir, liderar e enfrentar desafios em diferentes momentos da história da Força Aérea Brasileira e do país.
Este site existe para preservar essa memória, fortalecer os laços que o tempo e a distância não apagaram e celebrar uma trajetória que começou com jovens sonhadores e se transformou em uma irmandade para a vida inteira.
Para familiares e amigos, esse percurso costuma ser vivido com orgulho, mas também com preocupação e saudade. O distanciamento físico, a intensidade da formação e os riscos inerentes à carreira militar fazem parte de uma escolha que envolve não apenas o aluno, mas todos ao seu redor. Por isso, os vínculos criados nessas escolas extrapolam a vivência individual e se estendem às famílias, que acompanham, apoiam e compartilham essa trajetória.
Para os ex-alunos, EPCAR e AFA permanecem como referências permanentes. As amizades construídas nesses anos, os valores assimilados e as experiências compartilhadas criam um sentimento de pertencimento duradouro, que atravessa décadas e diferentes caminhos profissionais. Mesmo após a formatura e ao longo da vida civil ou militar, esses laços continuam presentes.
Este site foi criado para preservar essa memória coletiva e fortalecer esses vínculos. Ele está organizado de forma simples e colaborativa: reúne informações históricas da Turma, registros fotográficos, perfis dos integrantes, espaço para comentários e homenagens, além de áreas de acesso restrito para os integrantes da Turma. A proposta é manter viva a história da Turma Águia, facilitar o reencontro entre antigos companheiros e permitir que familiares e visitantes compreendam o significado humano e institucional dessa trajetória.

Relíquias
Sambas
Subimos o primeiro dos degraus
E, no topo dessa escada
O ponto final é um par de asas douradas
Olê, Olê, Olê, Olá
Se eu tenho um desejo a EPCAR vai realizar
Abram caminho
Para nossa vibração
Delirantemente, bate mais forte o nosso coração
Porque isto é sensacional (sensacional)
Aluno rico, aluno pobre
Na Escola somos nobres
Brigando por um final
Varia o Mundo
Varia a vida sem parar
Daqui a tempos terás asas
Um bom futuro alcançarás
Vou fazer um time quente para honrar nosso Esquadrão
E vou lutar com amor os quatro dias
Para erguer com euforia o troféu de campeão
Se Deus quiser
ôô ôôô ôôôô
Quem ama nossa Turma no ano que passou chorou
ôô ôôô ôôôô
Esse ano de mãos dadas seu lugar reconquistou
Oito um com muita raça !
É nessas cores que eu quero
A pura verdade mostrar
Primeiramente retornando ao passado
As derrotas eu esmago
Sob os meus pés vão ficar
Lembro o princípio fascinante
Todos rindo a todo instante
Na certeza de brilhar
Depois, logo após, o primeiro confronto
Transformou-se o semblante
Não se pensa em ganhar mais
ôô ôôô ôô ôô oooiito um
Foi-se a Lima Mendes
O nosso sonho acabou
Hoje, um ano se passou
Tudo que houve de ruim em nossa mente se apagou
Agora, ligado pelas afeições - ô
Oitenta e um voltou de novo
E diz em coro ao povo
Nós seremos campeões
ô pega o cabo de vassoura e quebra no joelho
Depois una as duas partes, eu quero ver fazer o mesmo
A isso chamam conceito de união
Formando a nossa corrente, dedo a dedo, mão a mão
Quem como nós se achar forte
Um passo à frente ou erga a mão - sem hesitação
Quem entrar no jogo vai ter que brigar
Contra nossa Turma um duelo irá travar
Quem será o Bicho Papão ?
Se não abrir os olhos será o nosso Esquadrão
Vem oito um se despedir
Entre mágoas e sorrisos
Última vez a EPCAR vai colorir
Na arquibancada a alegria-triste
Da Turma que vive sem seu coração
Esse machucado vai seguir sangrando
Mas a fé sem Célio oito um vai carregando
lá lá lá laiá
lá lá laiá
lá lá lá laiá
Cantando pras nossas dores irem descorando
Brigando pra que ao riso o choro dê lugar
Dessa vez vai ser mais que diferente
Pra vocês vai um presente contendo nosso valor
ô ô ô ôôô
É por ter raça e por lutar com amor
ô ô ô ôôô
Que nossa Turma na despedida brilhou