Homenagem ao Amigo Eduardo Paturalski

(Carlos Fernando Rondina Mateus)

"O homem que ouve a razão está perdido. Ela escraviza todos aqueles pensamentos não suficientemente fortes para dominá-la." Bernard Shaw

Difícil é lembrarmos de ti, amigo de todas as horas, sem que um forte aperto no coração comece a aflorar junto com as marcantes lembranças que uma pessoa ímpar como você nos faz suscitar.

Você, com seu jeito brincalhão e gestual, nos contagiava com suas mensagens de otimismo e sua forma positiva de encarar as dificuldades, transformando os obstáculos em detalhes e mirando os objetivos no horizonte.

Você, com seu profissionalismo saudoso, nos prendia a atenção com as histórias da aviação romântica, do rasante na curva do rio, do vôo "visual litoral" e do pernoite na "night".

Você, com sua energia sem limites, nos dava força para a "corridinha" da tarde ,o "gagazinho" da noite e a "cervejinha com caipirinha" do relax.

Você, com seus sonhos de um mundo mais justo, estaria chegando ao ponto de adotar a criança carente que um dia te inspirou a ser uma pessoa melhor.

Você, com sua pressa habitual, viveu dez anos a mil e parecia que antevia a brevidade de sua permanência nesta dimensão. Naquele fatídico Dia do Aviador, em 1992, quando a sua vida foi brutalmente interrompida, a nossa perdeu uma fatia que nunca será reposta.

O peito aperta pela tua falta, mas nosso egoísmo é compensado por sabermos que em algum lugar você está brincalhão, profissional, com muita energia, cheio de sonhos e com muita pressa de fazer alguma estrela brilhar ainda mais intensamente.

In Memoriam

(Tibério Augusto Lima de Melo)

Como é horrível a idéia do nada. Quanto se deve lamentar aqueles que crêem que a voz do amigo que chora seu amigo se perde no vazio e não encontra nenhum eco para lhe responder. Jamais conheceram as puras e santas afeições, aqueles que pensam que tudo morre com o corpo; que o gênio que iluminou o mundo com sua vasta inteligência é um jogo da matéria que se extingue para sempre, como um sopro; que do ser mais querido, de um pai, de uma mãe ou de um filho adorado, não resta senão um pouco de pó que o tempo dissipa para sempre.


Como um homem de coração pode permanecer frio a esse pensamento? Como a idéia de um aniquilamento absoluto não gela de pavor e não lhe faz ao menos desejar que não o seja assim?


Em nossos corações não há espaço para tais pensamentos, o que há são certezas que esta caminhada chamada vida não se encerra simplesmente com o débâcle da matéria, e que os companheiros que nos deixaram estarão sorrindo em um reencontro próximo.


Aos Amigos Osvaldo e Paturalski que partiram antes do término da nossa longa jornada pelo ITA

Homenagem ao Amigo Osvaldo

(Antônio Rénede Rodrigues de Matos)

Olho pela janela de vidro. A chuva cai inclinada, morosa e o vento balançando as árvores parece também querer sacudir meus últimos pensamentos. Tudo é muito incompreensível. É difícil absorver os fatos da maneira tão brusca que se quer impor. Observo o passado remoto e o sinto de maneira tão viva, que é impossível imaginar que não vá se estender pelo futuro se já quase me toma o presente.

Ainda não acredito que tu foste embora. Se eu pudesse eu teria trancado a porta, mesmo sabendo que essa decisão não caberia a mim. Se eu tivesse um cavalo, eu sairia correndo atrás de ti, e te resgataria das mãos de quem quer que seja mesmo sabendo que eu não poderia interferir. Se eu pudesse, ah, se eu pudesse, tu estarias aqui sorrindo e a gente combinando as diversas parcerias que tanto nos fizeram felizes.

A chuva continua caindo e de novo me lembra que de nada adiantam meus pensamentos frugazes. Mas ela não pode apenas cair e simplesmente ignorar que desejo ardentemente a tua presença. E de que adiantam minhas considerações. Como se risse de mim, ela parece me sussurar ao ouvido com palavras bem claras: Ele se foi! Estava escrito!

Fecho a janela e olhando para o teu "canto" encontro a paz necessária para ignorar essa chuva em forma de destino ou esse destino em forma de chuva que insiste em me dizer que estaria na hora de tu ires. Tu partiste? Talvez a tua missão aqui tenha chegado ao fim. Mas estou certo, de que em algum lugar, continuas a realizar tua missão, e um dia, quando nos encontrarmos eu te perguntarei o que sempre aqui te perguntava de maneira extremamente prazerosa:

- Oi Osvaldo! O que tens feito?


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Última atualização: dezembro de 2008
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