O Futuro da Engenharia



A Engenharia agora já não é mais um sonho, é uma estrada que se concretiza nos nossos horizontes. E o que podemos encontrar nessa estrada é uma pergunta que certamente todos os formandos fazem.

Visando responder esta questão, a nossa revista de formatura consultou três representantes de áreas correlacionadas com Engenharia sobre as expectativas do mercado:



Sr Mario Bethlem

(Presidente da IBM do Brasil)

1 - O que os formandos 96 do ITA podem esperar para os próximos cinco anos?

Em termos de tendências futuras tecnológicas, dois cenários irão prevalecer:

O primeiro será "Massificação com Individualização". Os "sistemas" para o cidadão vão estar globalizados/massificados mas, ao mesmo tempo, individualizados, como se preparados para atender a cada um de acordo com seus anseios. Um exemplo seria o sistema de reservas de passagens aéreas. Ele vai estar globalizado (com informações de vôos e roteiros de todas as empresas aéreas) mas o indivíduo poderá escolher as opções desejadas de sua casa ou escritório, como se o sistema fosse desenhado só para ele.

O segundo cenário é o da sociedade informatizada. O computador vai estar cada vez mais presente em nosso cotidiano (educação, transporte, entretenimento, comércio, saúde, indústria, administração etc.), ajudando-nos em nossas tarefas diárias e sendo apoiado por redes (Network Computing) que irão integrar grande parcela da sociedade.

2 - Qual o futuro da Engenharia?

Há duas tendências principais, muito em linha com os dois cenários acima:

Ao mesmo tempo em que a Engenharia manterá aspectos regionais e individuais, ela terá que ser globalizada. Um exemplo é o que a Levi Strauss está fazendo com seu tradicionalíssimo negócio de jeans. A empresa tem, dentro de cada loja, uma aplicação baseada em Lotus Notes. O sistema é alimentado com quatro medidas dos clientes tomadas por laser. Essas medidas chegam instantaneamente à fábrica via rede, onde a calça é produzida sob medida e enviada à casa do cliente, que paga apenas dez dólares por isso. Ele realmente recebe uma calça feita exclusivamente para ele e as lojas da Levi’s não precisam mais empilhar milhares de combinações de estilos, cores e medidas. Disso resulta menor estoque, menor custo de estoque, inexistência de obsolência e lucros maiores, muito maiores. Isso mostra como uma cadeia de suprimento, estável há décadas, pode tornar-se instantaneamente ultrapassada diante da nova dinâmica do negócio.

A segunda tendência mostra uma engenharia totalmente "computer based". Todas as disciplinas usarão a informática. Os problemas não serão disciplinares, serão sistêmicos. E as soluções serão sempre multidisciplinares. A construção de uma ponte será toda feita em computador e todas as variáveis como vento, estrutura, matéria-prima etc., serão testadas e simuladas no computador. Um avião, por exemplo, será projetado, "construído" e voará milhões de horas dentro do computador antes mesmo que uma única peça física deste avião seja fabricada.




Cel.-Av. Antonio Hugo Pereira Chaves

(Diretor do IAE)

1 - Qual o futuro da Engenharia?

A engenharia existe desde os mais remotos tempos. Podemos dizer que ela existe desde o aparecimento do homem na face da Terra.

Se a entendermos como a arte de usar a técnica para realizar aquilo que a imaginação humana concebe, verificaremos que, enquanto existir a humanidade ela estará presente!

O que pode ser questionado são seus rumos no Brasil, não a sua importância. Quais as áreas que se destacarão nos próximos anos tendo em vista o próprio direcionamento que o país pretende dar às suas atividades.

Como brasileiro, estou convencido que a formação em engenharia continuará. A ênfase deverá ocorrer nas especialidades onde se pretende realizar os maiores investimentos. Por outro lado, como componente do Ministério da Aeronáutica, vejo que o treinamento nas áreas tradicionais de formação no ITA prosseguirá, atentando-se para o fato de que haverá uma demanda razoável de engenheiros eletrônicos e de computação e que, se realmente houver a recuperação da indústria aeronáutica, como está se configurando no momento, as áreas de mecânica-aeronáutica e aerodinâmica necessitarão de renovação da sua mão-de-obra.

Em resumo: como no passado, a engenharia continuará a ser uma área do conhecimento humano imprescindível para qualquer país e, caso o Brasil continue a demonstrar sua tendência para o desenvolvimento, deve-se esperar um crescimento na demanda de engenheiros, principalmente aqueles das áreas onde estiverem os grandes investimentos governamentais.

2 - O que os formandos 96 do ITA podem esperar para os próximos cinco anos?

No Brasil podemos esperar, de um lado, a estabilização econômica, que por sua vez provocará alguns ajustes organizacionais, um crescimento muito favorável dos setores que lidam com a engenharia e, em conseqüência, uma maior demanda de engenheiros de bom nível.

De outro lado, como já comentado anteriormente, deve-se esperar um crescimento do setor aeronáutico devido à recuperação de nossa indústria.

No setor espacial, com o alcance das metas do programa espacial e tendo em vista os projetos do Plano Nacional de Atividades Espaciais, é possível prever um crescimento gradual, mas seguro, da demanda de engenheiros e, com a solução de alguns problemas burocráticos, que hoje impedem a contratação com mais facilidade pelos órgãos governamentais, espera-se chegar a uma condição muito especial, onde o formandos de 96 do ITA terão, certamente, participação muito importante.




Prof. Dr. José Edimar Barbosa Oliveira

(Professor Titular da Divisão de Eletrônica do ITA)

1 - Qual é o futuro da Engenharia?

A Engenharia, compreendida como a arte de fazer, consiste em aplicar conhecimentos científicos e empíricos à criação de estruturas, processos e dispositivos, que são utilizados para converter recursos naturais em formas adequadas ao atendimento das necessidades humanas. Desde o início da revolução científica, há aproximadamente quatro séculos, o exercício da Engenharia tem evoluído rapidamente através da crescente utilização simultânea dos conhecimentos obtidos nas mais diversas áreas das atividades científicas. Esta característica, que tem sido extensivamente praticada nas últimas décadas do século XX, determinou que a Engenharia não é uma "learned experience" mas sim uma "learning experience".

A natureza globalizada que tem norteado as atividades de engenharia, no que tange à sua interdisciplinariedade, permite-nos prognosticar um século XXI extremamente fértil para a participação dos Engenheiros na busca do bem comum.

Os conhecimentos científicos disponíveis e ainda não utilizados apropriadamente, bem como os novos, serão transformados em tecnologias que possibilitarão formas mais eficientes de atender as aspirações humanas, que já foram muito bem identificadas pelos grandes pensadores, notadamente por Sócrates.

2 - O que o aluno do ITA deve esperar para os próximos cinco anos?

O ITA tem primado pela busca continuada da excelência desde sua fundação. Com este objetivo as atividades de ensino, pesquisa e extensão são planejadas e executadas em consonância com os conhecimentos científicos mais recentes e acessíveis à Instituição.

Nas últimas décadas deste século a transformação do conhecimento científico em tecnologias das mais diversas áreas tem ocorrido com extrema velocidade e, como conseqüência, as atividades de Engenharia têm sido ampliadas no sentido de atender melhor as necessidades humanas.

O ITA, como Instituição de vanguarda e com vocação já comprovada para o pioneirismo, estará participando de forma ativa do processo correntemente denominado de "reengenharia".

Nos próximos cinco anos os alunos do ITA estarão vivenciando, de forma proativa, as atividades na nossa Instituição neste novo e excitante cenário da Engenharia; no entanto, deverão atentar que essas inovações ainda não prescindem das atividades ortodoxas denominadas de provas, séries de exercícios e o altamente educador "gagá" extendido de alta densidade!


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Última atualização: dezembro de 2008
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