Discurso de Formatura

São José dos Campos - CTA, 13 de dezembro de 1996

Ilson Peres Dal-Ri Júnior
Orador da Turma 96

Prezados Professores

Senhoras e Senhores

Caros Colegas,

Quando, há cerca de 5 anos, chegamos ao CTA pela primeira vez, nenhum de nós tinha a exata noção da dimensão do desafio que nos aguardava. Naquela ocasião, os então bixos, provenientes de todos os cantos do Brasil, procuravam se familiarizar com o campus e com a nova rotina que se estabelecia.

Em meio às atividades do CPOR, às conversas no rancho e as longas madrugadas em claro, a turma foi se conhecendo, se integrando e um longo e duradouro espírito de coletividade foi naturalmente sendo concretizado. Aos poucos, o ITA foi se tornando parte de nossas vidas, provendo o nosso dia - a - dia com experiências que abrangiam todos os tipos de situações: das alegres às tristes, das cômicas às trágicas, das corriqueiras às surpreendentes.

Inseridos em um ambiente extremamente exigente em termos de dedicação, carga de estudos e provas, muitos de nossa turma ainda procuraram se envolver em atividades do centro acadêmico buscando, muitas vezes, instigar uma consciência coletiva voltada para o desenvolvimento de toda a comunidade iteana. Com esse intuito, vários encontros musicais, olimpíadas internas, bailes e torneios da Semana da Asa contaram com a contribuição de muitos de nós.

A partir de nosso terceiro ano de ITA já começamos a nos organizar para a viagem à Europa. Promovemos mudanças estruturais e organizacionais na comissão de viagens visando a arrecadação de maiores fundos, e a visita a uma maior quantidade de empresas européias. Conseguimos concluir com sucesso ímpar os trabalhos da comissão, caracterizando-se um dos melhores exemplos de trabalho de grupo desenvolvido por nossa turma, tornando patente o nosso compromisso para com a obtenção de resultados palpáveis e de qualidade.

Relembrando agora nossa passagem pelo ITA, não poderia deixar de mencionar o nosso caro colega Osvaldo, que tão tragicamente se esvaiu de nosso convívio, deixando um triste rastro de saudade. Participante ativo de cada momento desta nossa história, Osvaldo ajudou ainda a conceber um dos últimos empreendimentos de nossa turma, a revista dos formandos de 1996, a qual se configura como um dos mais importante registros de nossa história iteana.

Chegamos então ao tão sonhado dia da formatura. Nós, hoje reunidos, saldamos a conquista de nosso almejado diploma, o qual agrega em si fatores que extrapolam os limites do conhecimento técnico aqui adquirido, sendo reflexo claro e único do alto grau de idealismo, coragem e perseverança que norteou nossa trajetória ao longo desses últimos anos. Mais que um mero pedaço de papel, nosso diploma adquiriu feições próprias; Nosso diploma tem caráter, tem personalidade, tem vida. Vida que supre um processo de aprimoramento ininterrupto, de desenvolvimento do grupo e de cada um de nós.

Perceber esse processo, que oferece a própria dinâmica do aprendizado e do crescimento pessoal, nos permite afirmar que ele mesmo não é fruto, obviamente, de meras prerrogativas individuais. Nenhuma pessoa constrói - se sozinha, pois soma-se à autenticidade de cada um a estratificação de preciosas contribuições de outras pessoas, participantes ativas daquilo que somos e no que nos transformamos. Como diz o provérbio chinês: "Um pouco de perfume sempre fíca nas mãos de quem oferece flores'.

Como reduzir a meras palavras, então, todo o significado da participação de nossos pais em nossas vidas? São os pais que nos fornecem os subsídios mais preciosos aos quais sempre cumpre recorrer, quando precisamos procurar afeto e motivação. Pelo fato de seus auxílios não se restringirem ao nosso aperfeiçoamento profissional, mas a ele transcenderem, sendo voltados à nossa realização particular e à nossa felicidade, não poderíamos deixar de dedicar esse momento aos mesmos.

Como deixar de mencionar, também, a influência de nossos mestres em nosso desenvolvimento. Sempre auxiliamos nossos mestres em alguma coisa, ainda que não percebamos. O que recebemos, sempre varia de acordo com uma gradação de maior contato ou melhor relacionamento, o que segue, necessariamente, a imperativos de temperamento. A todos os mestres, que sabem e reconhecem o valor de suas funções, compondo rigor, razão e amizade em uma formulação infalível para a transmissão brilhante de seus conhecimentos, prestamos nossos mais sinceros agradecimentos, pelo inestimável e inigualável mérito de seus ideais.

Quanto a nós, o que fazer daqui para a frente? O que, senão enfrentar os desafios que a vida nos oferece com o mesmo vigor e perseverança que nos permitiu transpor barreiras para conquistar nossos objetivos. O que, senão buscar promover nossas perspectivas profissionais através de atitudes pautadas na razão e no caráter. O que, senão procurar participar do desenvolvimento de nossa nação, retribuindo um pouco de tudo o que ela já nos propiciou.

Para concluir, gostaria apenas de dizer que esta cerimônia de formatura não deve representar uma despedida em nossas vidas, mas sim uma reafirmação do alto grau de união e companheirismo que sempre caracterizou nossa turma.


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Última atualização: dezembro de 2008
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