A Conquista do Ar
No texto que apresento abaixo, o leitor poderá notar que muitos contribuíram
para que Santos Dumont chegasse a realizar seu vôo autônomo num mais
pesado do que o ar. Vários foram os pioneiros dos vôos em balões,
para-quedas, planadores antes dele e houve até quem tivesse contribuído
com cálculos de sustentação, conceitos de aerodinâmica, estudos das
propriedades dos gases, motores e até uma asa delta..., bem, leiam o
texto, é incrivelmente interessante...
O Homem tentava voar há Séculos
Voar pelos céus sempre foi um sonho do Homem; prova disso são as
figuras místicas da Antigüidade, como Dédalo e Ícaro na Antiga
Grécia, Mercúrio na mitologia romana, e Thor para os povos
nórdicos. Voar representava Poder - pois enquanto o Homem já havia
se mostrado capaz de conquistar as terras e as águas, aos céus só
os pássaros podiam alçar-se.
A Grécia Antiga
Além da popular lenda de Ícaro, a Grécia teve o mérito de abrigar
o primeiro estudioso a se preocupar com os segredos do vôo, o
filósofo Arquitas de Tarento, em 400 a.C. Ele teria idealizado uma
"máquina voadora" que, segundo algumas interpretações, esta
máquina seria um tipo de papagaio ou pipa. Se isto for correto, os
chineses estavam à frente de Arquitas em pelo menos 200 anos, pois
já empinavam suas pipas em 600 A.C.!
O ornitóptero de Leonardo da Vinci
Muitos foram os que tentaram
alçar vôo ao longo dos tempos; houve aqueles que procuraram
imitar os pássaros, prendendo um par de asas ao corpo, e que
encontraram a morte ao jogarem-se de torres e muros. Tais
tentativas, feitas sem base científica, pouco contribuíram para
tornar realidade esse sonho. Na metade do século XV, o sábio
Leonardo da Vinci procedeu ao estudo das asas dos pássaros, e
projetou vários artefatos, como o ornitóptero (com asas batentes
movidas a energia humana), helicópteros (com hélices movidas por
molas), e para-quedas. Em suas mais de 5.000 páginas de anotações
sobre o vôo, vários problemas foram estudados e resolvidos,
incluindo o do cálculo da área de sustentação; porém tal obra
ficou perdida por quase três séculos.
A Suécia também inventa
Em 1716, o sueco Swedeborg definiu em seus projetos o uso de
elementos transversais nas asas, a concepção de um trem de
aterragem e de uma coluna de comando de vôo (o manche). Todos
esses equipamentos se tornariam padrão nas aeronaves que viriam a
surgir.
O Céu fica mais perto...
O balão de ar quente foi inventado pelos irmãos francêses Joseph e
Etienne Montgolfier, tendo feito o primeiro vôo em seu invento nos
céus de Annonay, França, no dia 14 de Junho de 1783. O artefato
alcançou altitude de cerca de 2.000m (6.000Ft). Ainda em 1783, no
dia 21 de Novembro, aconteceu o primeiro vôo livre tripulado num
balão de ar quente, também construido pelos Montgolfier, vôou
durante uns 35 minutos, percorrendo a distância de 8,5km. Seus
tripulantes foram dois outros francêses: Francois Pilatre De
Rozier e o Marques D'Arlandes. Entre os ilustres convidados que
assistiram a façanha, estavam presentes o Rei Luis XVI e a Rainha
Maria Antonieta.
Um suiço aponta o caminho
O cientista suiço Daniel Bernulli (1700-1782) foi o responsável
por uma descoberta fundamental para a realização do sonho humano
de voar. Bernoulli enunciou o "Principio de Bernoulli" segundo o
qual a energia total de um fluido em movimento se mantém
constante. Assim, se a velocidade aumenta, há uma queda na pressão
- e vice-versa.
Este princípio foi fundamental para "iluminar o caminho" dos
pioneiros estudos de aerodinâmica, e foi baseando-se nele que se
chegou a grande resposta - a invenção do avião, a definitiva
máquina de voar "mais pesada que o ar"...
Um salto para a eternidade
Em 1890, o engenheiro elétrico francês Clement Ader (1841-1926)
criou uma máquina voadora a que chama de "Eole" - em homenagem ao
deus grego dos ventos. O engenho era propulsado por um motor a
vapor e realizou pelo menos um "vôo" (na verdade, um salto) com
sucesso - atingindo a altura de 20cm sobre o solo, numa distância
de 50m. Teria sido esta, segundo alguns, a primeira vez que um
aparelho mais pesado do que o ar elevou-se do solo.
O Primeiro salto de para-quedas
Aconteceu há 200 anos, em 22 de outubro de 1797, e foi executado
pelo pioneiro aeronáutico francês Andre-Jacques Garnerin. Ele
saltou de para-quedas de um balão que voava a 915m de altura, nos
arredores de Paris. Este foi o primeiro salto de para-quedas de uma aeronave ou
aerostato.
Definição: Aerostatos são aeronaves baseadas no Princípio de
Arquimedes, popularmente conhecidos como "veículos mais leves que
o ar".
Como é que pode subir?
Apesar de todo sucesso, os irmãos Montgolfier, que eram donos de
uma fábrica de papel, não descobriram a verdadeira razão de seus
balões se elevarem do solo. Acreditavam, ingenuamente, que o que
elevava os aerostatos era a fumaça - que achavam ser um gás de
propriedades "voadoras". Um gás deste tipo, por sinal, o primeiro
gás "mais leve que o ar" fora descoberto por um inglês, Henry
Cavendish, em 1766. Tratava-se do hidrogênio, que Cavendish
batizou de "flogisto' ou "inflammable air" - ar inflamável, por
suas propriedades carburantes. Só em 1790, o químico francês
Lavoisier daria ao novo elemento o nome pelo qual o conhecemos até
hoje: Hidrogênio.
Antes disso, porém, o novo gás já provava suas características
"voadoras": em 23 de agosto de 1783, o membro da Academia francêsa
de Ciências, Jacques Alexandre Cesar Charles, elevou-se aos céus no
primeiro balão de hidrogênio. No dia 1º de dezembro do mesmo ano,
a bordo de sua criação, Jacques Charles, acompanhado de Aine
Robert, fez um vôo de 60Km - De Tulherias, em Paris a cideda de
Nesles.
Mas voltando ao "mistério" dos Montgolfier, seus balões subiam por
motivos bem mais simples que um gás misterioso. O balão subia por
que o ar, quando aquecido, se dilata fazendo com que uma
quantidade menor de moléculas de ar no interior do balão ocupe um
volume maior que a mesma quantidade de ar no exterior, dessa forma
criando a "leveza" que eleva o balão no ar.
Idéias muito avançadas
Em 1867, o russo Teleshov sugeriu uma aeronave cujo motor seria um
jato de combustível líquido. De fato, segundo seu criador, ele
funcionaria com o combustível sendo vaporizado para se misturar no
carburador antes de ser injetado na câmara de combustão, onde
queimaria originando a força de impulso necessária. A decolagem
seria feita num trole sobre trilhos, que seria solto assim que a
aeronave ganhasse altura em vôo. As asas desta, por sinal, seriam
do tipo monoplano-delta, com o ângulo de ataque enflechaclo em 45
graus. Se voce acha que as linhas desse avião lembram um pouco o
avião Messerchmitt Me-163 Komet, se 1944, você não está louco
não... Elas realmente têm igualdades, só que o russo as desenhou
com 100 anos de antecedência!!!
Mas, por suas idéias serem um tanto revolucionárias para a época,
não é novidade dizer que o projeto nunca saiu do papel...
A Asa-Delta aparece...
São poucos que imaginam que este esporte radical tem sua origem
determinada pelas pesquisas e sonhos de um alemão sério e de cara
"fechada" chamado Otto Lilienthal, um engenheiro civil. Em 1889,
publicou o livro "O Vôo das Aves como Fundamento para a Arte de
Voar", e dois anos depois, iniciou a construção e os ensaios do
vôo com aeronaves de asas fixas sem motor, conhecidas como
planadores. Este trabalho o levou a modelos cada vez mais
eficazes, para um homem, e saltando de altas colinas Otto
realizou vôos de até 30 segundos, percorrendo 250m. Ao todo, o
alemão realizou mais de 2000 vôos, estabelecendo em 20m o seu
recorde de altitude. Foram criados tipos monoplanos, biplanos e
até triplanos, houve até um especial para ventos fortes, o "Baby",
que está conservado até hoje e pode ser visto no Museu Técnico de
Viena, Áustria.
Lilienthal, porém não criou somente as bases para os futuros
planadores e asas-delta, ele também popularizou essa paixão pelos
céus, desenhando e produzindo a primeira aeronave a ser produzida
em série no mundo - um planador individual com envergadura de 6,7m
e superfície alar de 13m. Nove exemplares foram comercializados, e
um deles sobrevive até os dias atuais, conservado no Museu N.
Jukoviski, em Moscou.
Infelizmente, quando já estudava a possibilidade de "motorizar"
seus planadores, Lilienthal sofreu um acidente fatal,
precipitando-se de uma altura de 15m durante um vôo nas colinas de
Rhinow, em 9 de Agosto de 1896.
O motor aparece
O primeiro balão com forca motora própria foi criado por Henri
Giffard, tendo realizado seu primeiro vôo em 24 de Setembro de
1852, fazendo um percurso de aproximadamente 27Km entre o
hipódromo de Paris e a cidade de Trappes.
A propulsão era fornecida por um motor a vapor de 3hp que permitia
ao balão uma velocidade máxima de 9Km/h. Livre do jugo das
correntes aéreas, os balões autopropulsados logo receberam um nome
próprio: Dirigíveis.
Surgem os irmãos Wright
Os irmãos Wright, Wilbur e Orville, nasceram em Dayton, no estado
de Ohio, EUA. Filhos de um bispo protestante, Milton Wright. Os
irmãos tiveram seu primeiro contato com a magia do vôo em 1878,
quando o pai lhes deu de presente um modelo rudimentar de
brinquedo de um "voador" (usava os princípios do helicóptero).
Wilbur tinha então 11 anos e seu irmão mais novo, Orville, apenas
nove. Por outro golpe do destino, em Outubro de 1900, foram passar
as férias na Carolina do Norte, onde conheceram as praias de Kitt
Hawk, um litoral agreste batido por fortes ventos. Era o local
ideal para as provas da máquina voadora que os Wright já
planejavam. Assim, em 1901, Wilbur e Orviille se instalaram numa
localidade a 6Km de Kitt Hawk, onde os ventos eram ainda mais
poderosos, o local era conhecido como Kill Devil Hills, ou As
Colinas de Matar Diabos.
O Brasil na Conquista do Ar
Santos Dumont não foi o único "brazuca" a realizar experimentos no
campo aeronáutico, outros continuaram com suas tentativas de voar.
No ano de 1709, o Pe. Bartolomeu de Gusmão, brasileiro, nascido em
1685 na Vila de Santos, mostrou a D. João V, Rei de Portugal, que
um engenho "mais-leve-do-que-o-ar", ou balão, poderia erguer-se ao
ar. Assim, a 5 de agosto de 1709, um pequeno balão de papel, tendo
o ar em seu interior sido aquecido por chama, elevou-se a 20
palmos de altura, dentro de um palácio; dias depois, nova
experiência foi realizada, desta vez ao ar livre, novamente com
sucesso.
Dentre esses pioneiros, encontramos ainda dois brasileiros: Julio
Cesar Ribeiro de Souza, o qual em 1880 propôs um balão
dirigível - "fusiforme dissimétrico" - provido de elementos de
sustentação que permitiam o vôo dirigido, tendo sido
construído e testado com sucesso em 1881, em Paris; e Augusto
Severo de Albuquerque Maranhão, que em 1902 projetou o balão
dirigível PAX, tendo infelizmente falecido quando aquele explodiu
em vôo, em Paris.
Pesquisa feita por: 72/284 -
Glauco Ferius Constantino de Oliveira