Chegada dos candidatos civis

1984

29 de janeiro de 1984! O Ninho das Águias começa a receber os seus novos filhotes. São jovens provenientes de Colégios Militares, da Preparatória do Exército, de escolas civis e até de alguns países estrangeiros.


Ex-alunos do Colégio Militar


Oriundos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Uma semana depois, a turma se completa. Chegam os "alunos" da EPCAR, totalizando 268 "candidatos" (assim seríamos chamados), unidos num objetivo único: "criar asas para voar"!


Confraternização entre os novos companheiros



A recepção foi, antes de tudo, "calorosa": uma confraternização entre companheiros, indistintos os ex-alunos de BQ ou os procedentes de outros pontos. Houve uma interação tal, que, desde os primeiros dias, já despontávamos como uma "turma que marcaria época" (palavras do Comandante).

Festa à parte, começou o mais difícil: a moldagem individual de acordo com os princípios acadêmicos. Para isso, foi criada a "Instrução Básica Militar". Éramos os primeiros a "testar" esse curso. Foi um mês de "motor a pleno"; com poucos momentos de descanso. Inúmeras as noites em que repousávamos a cabeça no travesseiro e, mal começávamos a rezar e refletir no que nos ensinaram durante o dia, já estávamos dormindo.

O tempo foi passando, o corpo parecia não suportar mais, a pista de corda não nos liberava, as corridas no Morro do justo eram intermináveis, o contato com novos esportes (esgrima, pólo aquático, defesa pessoal) eram os poucos momentos de "descanso".

Aconteceu, então, o salto da plataforma de 10 metros. Parecia loucura: até quem não sabia nadar teria que saltar! A Turma se uniu: cantávamos, gritávamos e, um ajudando o outro, vencíamos o medo. Todos passamos pelo desafio; somente isso já seria gratificante.

Final do mês; alguns dias para o carnaval (Ah! como esperávamos por ele!...), programou-se o dia da "Fuga e Evasão"; ponto máximo da IBM.

Fomos levados à noite para uma pedreira, sob os "olhos" dos guerrilheiros. Momentos de tensão, de angústia, de ansiedade.

Ajoelhados nas pedras, ninguém se atrevia em pensar em outra coisa, senão em atender às ordens de: "Rasteja, seu verme'; "pára de chorar ..."; "vai embora", "se esconde na barra da saia da mamãe...", "é tua hora da verdade!..."

Divididos em grupos, fomos soltos no mato, com a missão de livrar-nos dos "Guerrilheiros" e retornar à Academia até o amanhecer. Foi uma noite longa...

O Percevejo, o Mosquito, o Verme e alguns mais passaram por momentos inesquecíveis de medo, de cansaço, de coragem, antes de chegarem ao Corpo de Cadetes.


Preparatória para a fuga


No dia seguinte, receberíamos as ombreiras. O Corpo de Cadetes em forma, e nós, o 1º ano, a atração da festa. A cada candidato, um a um, os líderes de esquadrilha entregaram as platinas de 1º ano. Naquele momento deixávamos de ser "candidatos" e nos tornávamos "Cadetes da Aeronáutica". Foi o encerramento de um curso que nos enobreceu e nos mostrou os homens que somos. Gravaram-se bem em nossa memória as palavras de Rudyard Kipling:

"Se és capaz...
de forçar coração, nervos, músculos tudo,
a dar, seja o que for, que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti, que ainda ordena: Persiste!"

Dez dias de carnaval ... quem descansou? Não houve tempo, aqui já estávamos de volta.

Entramos numa rotina bem diferente daquela da IBM. Obviamente não acabaram os momentos de "corretivos'; de Ordem Unida e de doutrina, mas a situação era diferente.


Competição de cabo-de-guerra na INTERAFA

A Divisão de Ensino nos foi "apresentada": oito tempos de instrução por dia e, em vez da preocupação com pista de corda, corridas, saltos, o que nos atormentava, desse momento em diante, eram as provas de Cálculo, GD, Física, etc. Sabíamos que tínhamos condições de suportar e também vencer tudo isso.

Nesse ínterim, iniciaram-se os treinamentos para nosso primeiro campeonato interno.

Chega abril e uma "guerra" se trava. Éramos considerados "café com leite" pelo resto do Corpo de Cadetes. Preparados?



Estávamos, na medida do possível. Com certeza um bom preparo físico (resultante da IBM); faltavam-nos, no entanto, dois fatores importantíssimos: o entrosamento dentro das equipes e a experiência em modalidades como pentatlo militar, esgrima, tiro e polo. Com a vontade de sermos os melhores, teríamos de superar isso, e felizmente conseguimos.

Trouxemos nossa mascote, a gigantesca Águia, que nos deu muita sorte.

Brilhamos na natação, no vôlei, no pólo e, principalmente, na torcida. Mostramos o forte da Turma Águia, a união dos companheiros, e, como resultado, levamos o troféu de melhor torcida e o segundo lugar na classificação geral. Com a experiência obtida, tínhamos a convicção da vitória no ano seguinte.


Nosso futebol sempre no ataque


No pólo, éramos os melhores


O volei campeão arrasa outra equipe



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Última atualização: novembro de 2008

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